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Parentalidade Positiva


A parentalidade positiva é um tema emergente e sobre o qual existem variados textos e manuais. Contudo, não se trata de um conceito novo na literatura e na investigação.

Winnicott (1956) foi um dos primeiros autores percursores do conceito de parentalidade positiva ao introduzir o conceito de “parentalidade suficientemente boa”.

Para este autor, uma parentalidade suficientemente boa é responsiva à criança ou jovem. Para além disso, nesta relação entre a figura parental e a criança ou jovem, existe aceitação, compaixão/empatia e, também, consistência.

Mais tarde, outros autores como, por exemplo, Baumrind (1966), Ainsworth (1989), Seligman e Csikszentmihalyi (2000), Gordon (2016), Webster-Stratton (2016) e Sanders e colaboradores (2017) foram demonstrando a importância da qualidade da relação parental e de cuidado no desenvolvimento e crescimento saudável da criança ou jovem, nas situações de conflito, na autoestima e no ajustamento social.



Para além das evidências científicas, a parentalidade positiva tem-se constituído como um tema central do ponto de vista estratégico e político, com o objetivo de incrementar relações familiares de qualidade e diminuir as situações de conflito e de abuso, nomeadamente no que concerne às estratégias educativas.

Esta preocupação estratégica e política é passível de ser observada na Estratégia Nacional para os Direitos da Criança vigente, em que o tema da parentalidade positiva constitui uma prioridade. É, ainda, passível de ser observada na Recomendação 19 (de 2006) do Comité de Ministros do Conselho da Europa para os Estados-Membros.

Segundo esta Recomendação, a parentalidade positiva define-se como um comportamento parental baseado no melhor interesse da criança ou jovem, que assegura a satisfação das suas necessidades e a sua capacitação, sem recurso a estratégias que envolvam violência. É, igualmente, um comportamento que assegura segurança, reconhecimento e orientação às crianças e jovens, mas, também, estabelecimento de limites e regras, para possibilitar o seu desenvolvimento pleno.



De que falamos, então, quando estamos a falar de parentalidade positiva? Quais são os ingredientes essenciais que esta relação entre figuras parentais e crianças e jovens deve ter para ser considerada segura, orientada para as necessidades e para o desenvolvimento potencial das crianças e jovens?

Segundo a literatura e os principais autores neste domínio (alguns desenvolveram e validaram programas de apoio à parentalidade em vários países do mundo como, por exemplo, a Webster-Stratton), há algumas caraterísticas que devem constar da relação entre figuras parentais e crianças e jovens, nomeadamente:

- Comunicação efetiva, caraterizada por uma comunicação empática e centrada na resolução de problemas;

- Estratégias educativas não violentas, sem recurso a punições físicas ou psicológicas;

- Regras e limites claros, adequados, sensíveis à idade e necessidade das crianças e aplicados com consistência;

- Proximidade e intimidade, estimulada através de brincadeiras e envolvimento nas rotinas das crianças e jovens;

- Autonomia e estímulo ao desenvolvimento, através do encorajamento e da atribuição gradual de responsabilidades às crianças e jovens ao longo do seu desenvolvimento;

- Atenção positiva e reforço de progressos, dos processos, das tentativas, promovendo a autoestima, a motivação e a persistência.


Crianças e jovens que se desenvolvam nestes contextos relacionais com figuras parentais tenderão a apresentar melhor autoestima e melhores competências emocionais e sociais com impacto na infância e na vida adulta.




Maria de Nazaré Loureiro


(Imagens livres retiradas de pexels.com)

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