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Altas capacidades, altas habilidades e precocidade

O conceito de sobredotação aparece, muitas vezes, na literatura e no discurso do dia a dia, associado ao conceito de altas capacidades, altas habilidades e precocidade.



Segundo Tarrida (2016), as altas capacidades podem ser definidas como um conjunto de características cognitivas ou intelectuais, que nos permitem realizar operações de representação e processamento de alto desempenho.


Esta concetualização permite visualizar o comportamento e o desempenho da criança ou do adulto a partir de um conceito estável (cerebral), detendo um alto valor “preditivo”. Contudo, a capacidade não pode ser medida diretamente, mas inferida através do comportamento e do desempenho.


Para isso, os psicólogos utilizam, habitualmente, escalas e testes, especificamente concebidos para avaliar diversas funções como, por exemplo, as Matrizes Progressivas de Raven ou as Escalas de Inteligência de Wechsler, para citar as mais habituais.




Ainda segundo o mesmo autor, as altas habilidades podem ser concetualizadas como um complemento às primeiras, porque representam a efetivação ou a execução de uma potencialidade. Essa demonstração, esse comportamento ou essa competência manifesta é objetiva. Poderá ser reflexo de uma capacidade subjacente que sustenta essa habilidade ou resultado de outros processos como o treino, por exemplo. Não obstante, quanto mais complexo o comportamento de demonstração de uma habilidade, mais provável será que tenha subjacente uma alta capacidade.


Portanto, sempre que uma criança exibir uma alta habilidade numa área cognitiva/aprendizagem, social, física/desportiva, expressiva (plástica, dramática, literária ou musical) que não seja melhor ou suficientemente explicada por outros fatores relacionados com o treino ou condições ambientais, poderá ser do seu interesse recorrer a um processo de avaliação.

Isto remete-nos para o terceiro conceito.




Ainda segundo o mesmo autor, os processos de maturação cerebral podem levar à ativação de novos recursos até à adolescência.


Uma criança precoce poderá ser uma criança que se desenvolve mais rapidamente e que estabiliza mais tardiamente na demonstração dessas competências anteriormente consideradas precoces. Ainda assim, porque devemos às crianças o melhor que temos de nós, poderá ser sempre útil apoiar estes processos mais precoces de desenvolvimento promovendo, tal como às crianças com altas habilidades e capacidades, condições para se desenvolverem de acordo com os seus interesses, ultrapassando eventuais dificuldades e investindo na melhoria da performance já excelente. Deste ponto de vista, os programas de enriquecimento podem ser uma boa aposta.

 

 

Maria de Nazaré Loureiro

Psicóloga no Personalizar e na ANEIS-Braga

(Imagens livres retiradas de pexels.com)



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