Levo o meu filho ao psicólogo ou isto passa?


Educar um filho é um desafio permanente. Para a maioria dos pais, felizmente, esta grandiosa tarefa de vida, tem tanto de exigente como de estimulante. As dificuldades de um dia são compensadas com as alegrias de outro e, no balanço geral, o saldo sai positivo. As crianças crescem com mais ou menos dúvidas, com mais ou menos seguranças, com as suas fragilidades e com as suas competências. Tudo normal.

Acontece, porém, que nem sempre é assim. Por vezes, o imprevisto surge, as dificuldades acumulam-se, as inseguranças crescem e as fragilidades aumentam. As das crianças e as dos pais. Aquilo que parecia fácil tornou-se tremendamente difícil, aquilo que até poderia ser divertido começou a tornar-se complicado. O cansaço acumula-se, a esperança desaparece e o desespero toma conta da situação. A criança que era alegre e bem relacionada passou a andar mais triste e a isolar-se. Algumas das tarefas que fazia tranquilamente e com à-vontade passaram a ser difíceis de executar. As noites ficaram mais longas e os dias mais agitados.


Por vezes, as evidências são menores e a consciência delas também, mas há a perceção da mudança do padrão de funcionamento do comportamento da criança. Nestas circunstâncias, e havendo na atualidade uma maior consciencialização das questões associadas ao exercício da psicologia e à atividade do psicólogo, muitos pais colocam a questão. “Será isto assunto do psicólogo, ou isto passa?” Por vezes, já na consulta, a questão é colocada: “Mas acha que isto é normal?”

A maioria das respostas passa por “depende”. Tal como na saúde física os espirros não têm que estar associados a uma gripe, também na psicologia, uma mudança comportamental não terá que estar associada a um quadro de ansiedade ou de outra qualquer perturbação. Importa saber se a alteração de comportamento tende a permanecer, e como é que os pais e a criança estão a lidar com isso. Um critério que se torna fundamental, em caso de dúvida, passa pela avaliação do sofrimento da criança. Não se tratando de dor física (embora também possam estar presentes sintomas físicos dessa natureza), há, no entanto, sofrimento emocional e isso é, por vezes, bem visível.



(Artigo da rubrica «Olhar em Frente», publicada pelo Jornal de Barcelos, em 21 de janeiro de 2009 - também publicado no livro «Educar Olhando em Frente», em 2018, pela Editora Coisas de Ler)

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